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Baiano é assassinado na Argentina e família enfrenta dificuldades com liberação do corpo


A família de Elielson da Cruz dos Santos tem vivido um pesadelo desde este domingo (6), quando descobriu que ele havia morrido, vítima de dois tiros, em um assalto na Argentina. “Era para ele ter desembarcado em Salvador na madrugada de sábado (5), mas não chegou”, disse ao BNews o irmão do jovem de 31 anos, Elinaldo.
Ele contou ao BNews que a última mensagem trocada com o irmão foi na quarta (2), quando recebeu apenas um “oi” e depois nenhuma mensagem mais foi respondida. “A gente não sabe direito as causas da morte e o necrotério de lá não tem permitido que ninguém veja o corpo”, declarou.
Elinaldo também afirmou que a família está desesperada com a falta de informação sobre o traslado do corpo para Salvador. “Já tentamos contato com o consulado brasileiro na Argentina e com o Itamaraty, mas ninguém diz nada consistente”. Amigos da família que moram na Argentina também não conseguiram nenhum detalhe sobre as investigações e a liberação do corpo.
A questão, segundo Elinaldo, é a incongruência das notícias dadas pela namorada da vítima, que é natural da Argentina. “A gente desconfia do que ela tem nos passado. Meu irmão me pediu para que eu comprasse, com urgência, uma passagem para ele voltar a Salvador. A gente não sabe o que estava acontecendo”, disse.
O irmão da vítima ainda relatou ao BNews que a comunicação com Elielson era muito difícil. “No início, ele conversava com a família sempre na presença da namorada. Depois, passou a usar telefones públicos e, por último, a cada semana ele tinha um novo número de telefone. Era muito difícil conseguir falar com ele”, contou.
Diante da notícia da morte de Elielson, que deixou três filhos com idades entre 3 e 12 anos, a família vive um impasse: viajar e tentar a liberação do corpo, sem saber os detalhes da morte do jovem; ou aguardar que as autoridades ajudem com as investigações e traslado do corpo.
“A gente não sabe as circunstâncias da morte dele. Eu não posso desembarcar em Buenos Aires sem saber se estarei correndo risco de morte”, desabafou Elinaldo. Ele também falou que os pais têm precisado de remédios para controlar o desespero da perda de um filho e a falta de notícias. 
Silêncio
Há quase 2 anos, Elielson da Cruz dos Santos trocou Morro de São Paulo, no sul baiano, onde trabalhava, pela província Emiliano Reynoso, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Após conhecer a namorada nas praias baianas, decidiu se mudar para ao país de nascimento dela. À família, ele disse que abriria um pequeno negócio e iria trabalhar por conta própria.
No entanto, após alguns meses na Argentina, Elielson começou a pedir dinheiro ao irmão, Elinaldo, sob a justificativa que a pequena empresa não tinha dado certo. “Eu mandava sempre”, disse o irmão ao BNews. Mas, os pedidos ficaram cada vez mais constantes, até o dia em que a vítima comunicou ao irmão que tinha fugido da casa da namorada.
“Um dia ele me ligou e disse que estava escondido, que tinha fugido da casa da namorada, e me pediu uma passagem para voltar para Salvador”, disse. Ainda segundo Elinaldo, mesmo com o bilhete aéreo emitido, o irmão não voltou para casa. “Ele ligou e disse que tinha decidido ficar e reatar o relacionamento”.
Foi a partir daí, de acordo com Elinaldo, que a comunicação com o irmão ficou quase impossível. “Ele parecia um prisioneiro, vigiado sempre. Era estranho e a gente não tinha como saber o que estava acontecendo”. O irmão da vítima contou ao BNews que, mais uma vez, na última quarta-feira (2), Elielson pediu uma passagem com urgência para Salvador. “Era para ele embarcar na sexta, mas ele nunca chegou…”.
A família disse que precisa da ajuda para conseguir a liberação do corpo e o traslado para Salvador, além do apoio de autoridades argentinas na investigação sobre a morte de Elielson. “A gente quer enterrar ele aqui e saber como tudo isso aconteceu”, relatou Elinaldo.
Entenda o traslado
Assim que registrado o falecimento, a certidão de óbito precisa ser enviada ao consulado do País no Brasil onde a morte aconteceu. O documento deve ser traduzido para o português por tradução juramentada, que é uma tradução oficial feita por um tradutor público e reconhecida em todo território internacional.
Com a liberação do corpo autorizada pelo poder judiciário e por delegado, deve ser providenciado pelos familiares as passagens aéreas para o Brasil e a urna internacional – um padrão para transportes aéreos com lacre a zinco. Também é exigida uma embalagem internacional para o condicionamento.
O corpo é encaminhado ao aeroporto, onde, assim que é liberado pela Polícia Federal, é destinado ao Brasil e aguardado pelo transporte funerário, solicitado pela família.
Veja foto da passagem emitida em nome de Elielson:


(Bocão News)