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Operação da polícia no Complexo da Maré deixa oito mortos no Rio


A Polícia Civil matou oito pessoas durante uma operação na manhã desta segunda-feira (6) no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. A circunstância das mortes ainda não foi esclarecida.
De acordo com a corporação, o objetivo da operação foi capturar o traficante foragido Thomas Jayson Gomes Vieira, o 3N, que atuava no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A Polícia Civil ainda não divulgou o balanço da ação.
Nas redes sociais, moradores denunciaram o uso de helicópteros para atirar em direção à comunidade. Em alguns vídeos, é possível vê-los sobrevoando a favela durante a operação, ao mesmo tempo em que são ouvidos barulhos de tiros. Em uma foto, crianças com uniforme escolar são flagradas correndo.
No fim de semana, o governador Wilson Witzel (PSC) acompanhou uma ação da Polícia Civil em um helicóptero que sobrevoava uma favela na cidade de Angra dos Reis, no Rio. "Vamos botar fim na bandidagem", disse em vídeo divulgado no Twitter.
O novo governador do estado já defendeu o "abate de criminosos" portanto fuzis, independentemente das circunstâncias, inclusive com drones e atiradores de elite disparando de helicópteros –o que é considerado ilegal por parte dos juristas e especialistas em segurança.
Só neste ano houve ao menos outras três operações policiais em favelas cariocas com o uso de helicópteros e relatos de moradores sobre rasantes e tiros vindos das aeronaves.
O uso de helicópteros para disparar rajadas vai contra uma normativa publicada em outubro pela extinta Secretaria de Segurança Publica do RJ, que determinava diretrizes para a atuação das polícias fluminenses durante operações.
A regra não impede que agentes disparem de helicópteros, mas estabelece que os tiros só sejam dados quando forem estritamente necessários para proteger outras vidas. Também ressalta que deve ser feito um disparo de cada vez, ficando proibido dar rajadas, e que essas investidas devem ser evitadas em locais populosos.
Foi uma ordem da Justiça que obrigou o estado, então sob intervenção federal na segurança, a apresentar um plano para reduzir os riscos e danos aos direitos humanos durante operações.
A decisão veio após uma ação em que foram feitos disparos de helicóptero da polícia no Complexo da Maré, na zona norte, em junho de 2018. Ela acabou com sete mortos, sendo uma das vítimas o estudante Marcos Vinícius da Silva, 14, atingido por um tiro de fuzil vestindo o uniforme da escola.
De janeiro a março de 2019, 434 pessoas morreram por intervenção de agente do Estado, segundo o Instituto de Segurança Pública. Nos três primeiros meses do ano passado, foram 368 mortes.
Na última sexta-feira (3), uma operação da Polícia Militar deixou quatro mortos no Morro do Borel, comunidade que fica na Tijuca, zona norte do Rio. Segundo os agentes, houve confronto e quatro criminosos foram socorridos ao hospital do Andaraí, mas não resistiram.
No início de fevereiro, a PM matou 14 durante operação no morro do Fallet, no centro da cidade. A corporação afirmou que todos foram mortos em confronto, mas moradores da favela disseram que os policiais atiraram mesmo após a rendição dos suspeitos.
A ação que reuniu o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o Batalhão de Choque foi a operação policial com maior número de vítimas nos últimos 12 anos.
Crianças fogem de tiroteio na saída da escola Foto: Reprodução/Maré Vive
Crianças fogem de tiroteio na saída da escola Foto: Reprodução/Maré Vive